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Eu sempre tive em mente o desejo de ser diferente. Nunca gostei de pensar e agir como todo mundo. Queria descobrir aquele algo original que me destacasse. Quando entrei para a faculdade de psicologia e em seguida comecei a fazer terapia, percebi que todos nós somos únicos e diferentes entre si, apesar da massacrante tentativa social de nos igualar. Cada um possui características pessoais muito particulares e que se expressam de forma única. A questão é que, historicamente, viemos de uma cultura de dominação em massa. Primeiro, pelos povos entre si, depois pelos reis, mais tarde pela Igreja e, atualmente, pelos meios de comunicação que estão à serviço de grandes empresas. Tudo isso tem um motivo: é muito mais fácil domesticar as pessoas se elas pensam da mesma forma, do que doutrinar um a um de acordo com suas diferenças. E esse modelo acaba se repetindo também no nosso dia-a-dia, nas escolas, nas comunidades e nas empresas. Pais impedem o desenvolvimento saudável e bem sucedido de seus filhos quando os obrigam a ser o que esperam deles. Professores tolhem o crescimento dos seus alunos quando os ensinam a pensar somente “dentro da caixa”.

Muitos líderes fazem um grande esforço para que seus funcionários pensem e ajam da mesma forma, a fim de facilitar sua influência e sua gestão. Eu mesma já recebi convites de empresas para realizar treinamentos que padronizassem seus líderes. Claro que, delicadamente, recusei a proposta. Mas veja bem, não estou aqui querendo buscar culpados. Essa cultura vai passando de geração para geração de forma inconsciente, na maioria das vezes. E as consequências disso são desastrosas. Acabamos criando zumbis que não reconhecem sua essência, que vivem pela opinião dos outros, ou dos “experts” sejam eles os pais, professores, doutores, ou especialistas. E a melhor forma de criar esses zumbis e perpetuar essa cultura é através da crítica negativa . Ela tira o nosso poder, pois foca exclusivamente naquilo que não temos, naquilo que é o nosso ponto fraco. E o pior é que na nossa cultura a crítica negativa é vista como algo bom. E quem a aceita é visto como uma pessoa humilde e de boa índole. Quando eu reclamava para o meu pai que ele só sabia me criticar, ele dizia: mas eu sou teu pai, tenho que te educar! Não que ter um pensamento crítico sobre as coisas, inclusive sobre nossos atos, seja ruim. Nada disso. O problema é que os relacionamentos são majoritariamente baseados na crítica negativa. Por isso temos tantos problemas para nos relacionar, seja com a família, com os amigos ou com os companheiros de trabalho. A própria psicologia sempre teve essa cultura arraigada, pois durante muitos anos focou a maior parte de seu trabalho e de suas pesquisas no entendimento e na cura dos problemas e das doenças mentais. O que, por um lado, foi ótimo para aliviarmos as dores das pessoas, por outro nos trouxe uma falta de conhecimento e de prática naquilo que o ser humano tem de bom, de melhor, e de forte. Tanto que, há alguns anos atrás, se buscássemos nos bancos de dados científicos pesquisas sobre felicidade e pesquisas sobre depressão, por exemplo, encontraríamos uma diferença bem menor que 1/5 para os artigos sobre felicidade.

A psicologia positiva vem trazer uma nova luz para esse cenário. Juntamente com a evolução das gerações, que empurra o progresso e exige novas formas de agir e pensar, o movimento da psicologia positiva trouxe essa nova mentalidade para as relações das pessoas com elas mesmas, com os outros e com o mundo. Através das pesquisas sobre felicidade, criatividade, resiliência, excelência profissional, entre outros, pode-se perceber que o que faz as pessoas prosperarem e florescerem não é o foco nos problemas, mas sim, nas capacidades humanas positivas. Foi essa mudança de paradigma que me conquistou há 10 anos atrás, e que deu um novo norte para a minha carreira, fazendo-me buscar conhecimento e maestria para atuar na área. Hoje, dez anos depois, vejo que esta nova realidade já está acontecendo ao redor do mundo, e fico muito feliz em saber que contribuí para o crescimento da psicologia positiva aqui no Brasil.