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Imagine uma geração de jovens, nascidos em um mundo relativamente estável, que valoriza a infância, que cresceu com o avanço dos computadores, da internet, que recebeu uma educação muito mais sofisticada que as gerações anteriores e que experimentou toda a liberdade, autonomia, prosperidade e conectividade construída por seus antecessores. Esses jovens foram respeitados e admirados quando crianças, adolescentes e muitas de suas estripulias acabaram se tornando negócios de sucesso. Eles podem ser o que quiserem ser, estar onde quiserem estar e ter o que quiserem ter. São talentosos, criativos, autoconfiantes e corajosos. Não tem paciência para esperar, nem tolerância com aqueles que não os respeitam. E como são autênticos, só admiram pessoas autênticas e líderes autênticos. Não se acomodam e só são fiéis àquilo que lhes motiva e lhes dá prazer, tanto na vida pessoal quanto no trabalho.

E por falar em trabalho, eles mudaram totalmente suas relações e características. Nunca existiram tantas profissões e oportunidades como agora. Na verdade, os Y são experts em criar novas profissões, não só na área tecnológica como em outras áreas de atuação. Como eles tem muito mais autoestima que as gerações anteriores, e buscam a realização pessoal e profissional em primeiro lugar, não se sujeitam a atividades que não fazem sentido em longo prazo. Precisam de feedbacks e reconhecimento constantes, e buscam desafios e oportunidades de crescimento o tempo todo. Assim como num jogo de vídeo game, onde o feedback é direto e cada fase é mais difícil que a outra. Até aí tudo bem, o problema é que eles aprendem rápido demais e tem a capacidade de serem objetivos e focados, excluindo tudo o que para eles é desnecessário. Eles querem trabalhar em equipe, com todas as gerações, trocando ideias e experiências, mas desde que sejam respeitados e ouvidos. Eles querem que as oportunidades sejam para todos, sem preconceitos. Querem equilibrar trabalho e vida pessoal. E como não bastasse tudo isso, eles precisam ser felizes e sentir prazer enquanto trabalham.

À essa altura, você já sabe que estou falando da famosa geração Y, o que na literatura sociológica representa as pessoas nascidas nas décadas de 80 e 90, e que hoje estão invadindo o mercado de trabalho. Decidi escrever este artigo pois estou cansada de ver pessoas falando de forma negativa e depreciativa sobre essa geração. Assim como todas as outras, ela tem características muito particulares e que causam conflitos com as anteriores. Mas, como no mundo nada regride, tudo evolui, acredito que cada nova geração é uma evolução das anteriores. O problema é que temos a tendência de rechaçar tudo aquilo que nos tira da zona de conforto e que nos empurra para frente. A maioria dos líderes empresarias de hoje são de gerações anteriores, como os tradicionais, os baby-boomers e a geração X. E por mais que essas gerações tenha sido responsáveis pela criação dos Y e da sociedade atual, não é fácil se adaptar a tantas mudanças. Os chamados Tradicionais (nascidos antes de 45) vem de uma geração que enfrentou a 2ª guerra mundial e passou pela Grande Depressão. Com os países arrasados, precisaram reconstruir o mundo e sobreviver. Por isso, são práticos, dedicados, gostam de hierarquias rígidas, ficam bastante tempo na mesma empresa e sacrificam-se para alcançar seus objetivos. Os Baby-boomers (1946 a 1964) são os filhos do pós-guerra, que romperam padrões e lutaram pela paz. Muito mais otimistas, puderam pensar em valores pessoais e na boa educação dos filhos. Têm relações de amor e ódio com os superiores (Afinal, não se pode confiar em ninguém com mais de 30 anos!), são focados e preferem agir em consenso com os outros. Já a geração X (1965 a 1979) nasceu em um período onde as condições materiais do planeta permitem pensar em qualidade de vida, liberdade no trabalho e nas relações. Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação já podem tentar equilibrar vida pessoal e trabalho. Mas, como enfrentaram crises violentas, como a do desemprego na década de 80, também se tornaram céticos e superprotetores.

Mesmo que essas três gerações tenham sido originadas uma da outra, existe grande dificuldade para trabalharem juntas, pois cada uma tem os seus valores e comportamentos característicos. E saber aproveitar as diferenças para orquestrar um conjunto produtivo e cheio de talentos trabalhando em harmonia é coisa de maestro, não é para qualquer um. Mas como tudo na vida se pode aprender – afinal, somos seres inteligentes – minha dica aos líderes que querem ser bem sucedidos nesta árdua tarefa de liderar as diferentes gerações é que utilizem bastante do seu tempo buscando conhecer cada pessoa que trabalha para eles. Entenda suas motivações, seus valores, suas crenças, sua história, para descobrir no que esta pessoa tem mais condições de colaborar para o alcance das metas da equipe. Acredito que os principais valores dos Y, como a autorrealização, a sustentabilidade, o respeito mútuo, a flexibilidade, a honestidade e a coletividade, são fundamentais para construirmos a sociedade que tanto desejamos. E, quem souber aproveitá-las, sairá em larga vantagem. Então, viva as diferenças!

abs,

Lívia

D’Netto, B. (2011). The Y in Google: Attracting and Retaining the Millennials. Melbourne. Cerca con Google.

Martin, C. A. & Tulgan B. (2006). Managing the generation mix. From urgency to opportunity. Amherst, MA: HRD Press.

Rita Loiola (2009). Geração Y. Revista Galileu.

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