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Especialmente na última década a psicologia tem se dedicado a estudar (de forma científica e aplicada) um tema que por muito tempo ficou a cargo de filósofos, poetas e autores de auto-ajuda: a felicidade. Para mim, como psicóloga, é um pouco estranho admitir isso, pois este é um assunto de interesse de todos, independente de raça, cor, idade e nível social.  Apesar disso, a psicologia tinha um olhar um pouco torto para o tema, como se não fosse importante estudar a felicidade com tanto problema para resolver no mundo. Bom, o tempo passou, as coisas e as pessoas mudaram. E agora, mais do que nunca, todos buscam entender esse fenômeno tão desejado!  Por isso, pretendo compartilhar com vocês as mais novas descobertas sobre o que faz com que umas pessoas sejam mais felizes do que outras, quais os benefícios da felicidade e como podemos nos tornar mais felizes.

Dinheiro

Inúmeras pesquisas têm sido feitas em diversos países para entender o que deixa as pessoas mais ou menos felizes, quais as características das pessoas felizes, se a felicidade pode ou não ser alcançada, enfim. Na semana passada, fui a um congresso de psicologia positiva em Buenos Aires e pude assistir mais um pouco dessas pesquisas. Muitas acabam reafirmando o que já sabemos e outras trazem algumas novidades interessantes. Uma das coisas que chamou a atenção foi que resultados mostram que uma das maiores fontes de infelicidade das pessoas era uma situação financeira ruim. Mas essa mesma pesquisa mostrou que uma situação financeira boa é citada por apenas 3% dos participantes quando perguntados sobre o que os deixa felizes. Fiquei pensando na explicação para isso e cheguei a conclusão que o dinheiro, assim como a água, é uma necessidade básica. Se não temos dinheiro, ficamos muito infelizes, em função das impossibilidades que essa falta nos traz. Mas se temos dinheiro, isso por si só não é fonte de felicidade. A mesma coisa acontece com a água ou com outra necessidade básica: se ficamos sem água, nos sentimos muito mal e podemos inclusive adoecer. Mas se temos água abundante e freqüente, isso não nos faz tão mais felizes. Acretito que esse entendimento seja importante para que possamos dar ao dinheiro o verdadeiro valor que ele tem.

Relacionamentos

Em outro estudo realizado pelo psicólogo Martin Seligman onde ele queria saber o que as pessoas extremamente felizes tinham de diferente de nós, meros mortais, observou-se que essas pessoas apresentavam apenas uma diferença: eram extremamente sociáveis. Elas tinham um relacionamento amoroso estável, tinham muitos amigos e cultivavam com cuidado suas relações. Essas pessoas não eram mais bonitas, mais religiosas, mais ricas, nem deixavam de passar por situações difíceis, como todos nós. Mas elas tinham uma rede social grande e forte. Isso foi comprovado em outras pesquisas onde as pessoas afirmam que as relações familiares e os amigos são sua maior fonte de felicidade. Isso nos faz pensar né? Muitas vezes nós tratamos as pessoas mais próximas com menos “cuidado” do que as mais distantes. Fazemos críticas constantes, esquecemos de reconhecer suas qualidades, damos a desculpa do amor e da preocupação para exaltar constantemente suas falhas e defeitos.

Trabalho

O trabalho também parece ser uma grande fonte de satisfação e felicidade na vida das pessoas. Os estudos de Mihaly Csikszentmihalyi mostraram que é no trabalho onde as pessoas apresentam maior estado de flow, que é aquele momento de envolvimento e entrega total onde a atividade é recompensadora por si só. Marcus Buckingam também afirma que as pessoas que utilizam os seus pontos fortes no dia-a-dia do trabalho são aquelas que atingem a excelência profissional e a felicidade nessa área da vida. Eu acredito nisso, pois minha satisfação pessoal aumentou muito depois que comecei a usar minhas forças e direcioná-las para a minha carreira profissional. A positiva é o exemplo vivo disso. E agora, busco ajudar as pessoas para que descubram suas forças e encontrem essa mesma satisfação no âmbito profissional.

Caridade e Cidadania

E por fim, um dos achados mais importantes nos diz que lutar por uma causa maior do que as nossas vidas pessoais e ajudar os outros mostrou-se uma grande fonte de bem-estar e felicidade.  Em seu último livro Florescer, Martin Seligman afirma que ter um propósito maior de vida dá sentido a nossa existência, aumentando o nosso bem-estar. Eu cresci ouvindo que lutar por um mundo melhor e ajudar os outros é muito mais importante e digno do que querer coisas materiais ou conquistas individuais. Hoje, eu acredito que não podemos dizer que uma seja mais importante que a outra, mas que todas são importantes. As realizações individuais nos dão um senso de autoconfiança e auto-eficácia pessoal que é fundamental para qualquer ser humano realizar algo na vida. E as realizações coletivas dão um sentido maior para estarmos aqui neste mundo.

No próximo post vou mostrar quais os benefícios que a felicidade traz para a nossa saúde, o nosso trabalho e para a vida pessoal. Aguardem!

Abs

Lívia

Referências:

Csikszentmihalyi, M. (1990). Flow: The Psychology of optimal experience. New York: Harper & Row

Seligman, Martin E. P. (2011). Florescer. Editora Objetiva.

Buckingham, M., & Clifton, D.O. (2001). Descubra seus pontos fortes. Editora Sextante.

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